sexta-feira, 28 de abril de 2017

A louca das compras ataca novamente!

Postado por Luciana Mara às 07:00:00 0 comentários Links para esta postagem
Eu era a louca das agendas
Tenho vários anos da minha vida documentados, com cartas recebidas, ingressos de shows e de cinema e relatos de momentos marcantes, mas com a correria do dia a dia, parei de usá-las como baú de memórias. Quando isso aconteceu e passei a recorrer apenas à minha cabeça como penseira, foi o momento em que comecei a esquecer de tudo.

Aliado a isso, tenho uma grande mania de gostar de planejar. Planejo a vida no geral, planejo as viagens minuciosamente e, quando começou a surgir o burburinho do uso do planner, que alia agenda ao planejamento, comecei a ficar muito interessada no assunto.

Porém, quem aí está disposto a pagar R$460,00 num planner? Eu não tinha/tenho/terei coragem nem nessa ou na próxima encarnação! Então pedi minha irmã para fazer um pra mim, com metas de leituras, informações sobre trabalhos, planejamento mensal e semanal, tudo pra atender às minhas necessidades.

Então comecei a usar o planner em 2017 e tcharam...
 ... virei a louca da papelaria.  

Quando você começa a pesquisar sobre o tema, acha um monte de sites, canais no Youtube e lojas totalmente dedicados a estas fofuras. Então descobre as washi tapes, papéis adesivos, carimbos de silicone (estou esperando receber os que comprei!), diversos acessórios e tudo para deixar seu planner alegre e colorido. É aí que a falência começa. Gente, comprei uma refiladora para cortar adesivos! Eu definitivamente, surtei! Daqui a pouco preciso vender meu rim para pagar as compras que fiz no Aliexpress (estou esperando 14 pacotes, sendo que um deles tem 11 itens #medodesertaxadamodeon).

Refiladora, washi tape, adesivos feito em casa, cartões adesivos
2017 está sendo frenético! 1/4 do ano passou (sendo que março eu nem vi!) e foram tantos perrengues, tantos projetos em andamento que me planejar e principalmente, decorar as minhas semanas virou uma terapia. Já saí espalhando ideias sobre esse hobbie por aí e algumas amigas já foram picadas por este novo (?) mundo. 

No YT tem vídeos de decoração de planner que você não acredita! Coisa de profissional mesmo! Eu ainda estou caminhando devagar, só colando uma coisinha ou outra, mas me divirto.
Algumas das minhas páginas preferidas
Esse ano está meio estranho e foi mal aí... Continuo sem postar com frequência. Mas as leituras estão em dia, obrigada! Por enquanto, 38 livros lidos esse ano, com destaque para As Cores da vida (que te deixa puta da vida com tanta injustiça), Juntando os pedaços (que te dá esperança porque ainda existem pessoas que não se importam com a opinião dos outros), Proibido (que te frustra para c@c**e!), Sem esperança (Colleen é Colleen! Te amo, mulher!) e Cinder & Ella (que te deixa com o coração quentinho). O destaque negativo vai para a série Torn da K. A Robinson Cicatrizes e Recomeços (que te deixa com vontade de jogar o livro na parede e ralar a cara da protagonista no muro de chapisco). 

Faço resenhas em tempo real no histórico do meu skoob. Me acompanhem por lá (e cuidado com os spoilers!). Ah... E tem algumas resenhas no Viagem Literária também!

Bjins e até qualquer hora! ;)

sábado, 31 de dezembro de 2016

Balanço de leituras do ano em que a ressaca acabou! - 2016

Postado por Luciana Mara às 09:30:00 0 comentários Links para esta postagem
E finalmente a ressaca literária que achei que fosse eterna passou! 

Os últimos dois anos foram péssimos de leitura para mim. Em 2014, li apenas 7 e em 2015, apenas 8. Para uma pessoa que se dizia viciada em livros, o resultado final destes dois anos tinha sido um belo desastre. 

Mas esse ano, meus amigos, o que 2016 teve de coisa ruim no mundo esse tem que ser conhecido como Ano Que Durou Três Anos teve de livros lidos. Eu comecei o ano como a nossa digníssima ex-presidentA Dilma sugeriu uma vez: “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”. 

Então, inicialmente, só queria ler mais que nos anos anteriores. Aí mudei de meta, e ela se transformou em ler 52 livros, um por semana. Ultrapassei o número estabelecido, e porque a gente gosta de emoção e é ousada para cacete, dobrei a meta. HAHA. O máximo de livros que tinha lido no ano tinha sido 65, em 2011. Seria um desafio.

Ter os livros nunca foi o problema. Não sei quantos livros tenho e não li ainda (só sei que são mais de 100, #nãomejulguem), então só com eles já bateria a meta estabelecida.

Mas as pessoas mudam. Eu mudei para caramba. Tem um monte de livros que comprei e hoje em dia não tenho mais vontade de ler (principalmente sobrenatural. Me fala de vampiro e anjo que eu começo a ter coceira). Mas, com amigas leitoras tão viciadas quanto eu, peguei muitooos livros emprestados e isso me ajudou bastante. 

Porém, o acréscimo mais importante para meu aumento considerável de leituras foi o Kindle. Vou cometer uma heresia terrível nessa próxima frase, segurem-se Braseeel: gosto mais de ler e-book que livro físico e leio muito mais rápido nele. #soltaabombaefogeparaasmontanhas

Se a Luciana de uns dois anos atrás lesse isso, ela me bateria e xingaria até a vigésima geração, mas o Kindle é prático, e eu falaria isso para ela. Tem luz própria, é leve, você ajusta o tamanho da letra que quer, leva centenas de livros com você em qualquer viagem e pra passar página só precisa de um toque. Sem abajur aceso incomodando o maridón ou aquele barulho de páginas passando no silêncio da noite. 

Não vou parar de comprar livros físicos, porque afinal, sou uma colecionadora. Mas agora pratico um consumo mais consciente. E mesmo os livros em e-book que leio e que preciso ter na coleção, eu compro. 

Outro fator importante, foi a descoberta dos New Adults (NA). Eu tento sair desse ciclo vicioso de personagens na faculdade, mas não consigo, minha gente! Aí já decidi que vou zerar o gênero, já me dei por vencida. Leio tudo e qualquer coisa do gênero que aparece na minha frente, mesmo que algumas vezes eu queira ralar a cara dos personagens no muro de chapisco.  Acontece que esse é o gênero que eu gosto de escrever, então toda essa leitura desenfreada é como um workshop pra mim. Pronto, segredo revelado.

Então, aí vão os 105 livros lidos em 2016 (li um de brinde), na sequência em que li:



E vamos para algumas estatísticas:
1- Li emprestado: 24 (22,9% do total)
2- Li no Kindle: 37 (35,2% do total)
3- Favoritei (o último favorito tinha sido em 2012): 3 (2,9% do total)  #Ficaadica: Novembro 9, Chá de Amor e A Thousand Boy Kisses
4- Não lançados no Brasil ainda: 15 (14,3% do total) 
5- Me fizeram alagar a sala de tanto de chorar: 2 (1,9%) #Ficaadica: Raio de Sol e A Thousand Boy Kisses
6- New Adults: 64 (60,9%)
7- São 5 estrelas cheias: 7 (6,7%) #Ficaadica: O lado feio do amor, Um caso perdido, Chá de amor, Talvez um dia, A voz do arqueiro, November 9 e A Thousand boy kisses

E não tem clássico nenhum de literatura, não tem poesia e se reclamar, ainda vou ler mais NA! HAHA Leitura é hobbie! Então leio o que dá na telha. É impressionante. O livro brilha na hora de ser lido. É assim que escolho a próxima leitura tooodas as vezes. 

Li 105 livros, mas escrevi poucas resenhas esse ano no TOC. Acho que falo tanto no skoob, que quando percebo, não faz mais sentido escrever a resenha completa aqui, rs. Desculpa meu povo! E não prometo que isso vai ser diferente em 2017, porque provavelmente não será. Só espero que o ritmo de leitura não seja alterado.
Ah... Só lembrando, alguns estão resenhados no Viagem Literária! Veja aqui.

Então é isso!
Feliz 2017 para todo mundo!
Que o ano novo seja cheio de muitas alegrias e livros cinco estrelas para todos vocês!
Bjins

terça-feira, 8 de novembro de 2016

#133: Senhorita Aurora (Babi A. Sette)

Postado por Luciana Mara às 14:10:00 0 comentários Links para esta postagem
Quer me fisgar com um livro/filme/série? 
Coloca música e dança no meio*!
E quando a história tem os dois? #olhosbrilhando
É um prato perfeito, para a leitora exigente que eu sou! Eu sou muita chata para julgar. Já morro de medo da hora em que eu for julgada. HAHA


Nicole é uma adolescente que só deseja uma coisa da vida: dançar. E quando se vê na oportunidade de concorrer a uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas de dança de Londres, ela resolve arriscar. E não é que dá certo? 

Alguns anos depois, já formada, a jovem bailarina consegue o papel principal de uma peça da Companhia de Ballet de Londres. Seus sonhos estavam se realizando! E sua trajetória seria perfeita se não fosse um dos diretores do espetáculo: Daniel Hunt, um maestro inglês excepcional que insiste em ser intransigente o tempo inteiro. Dono de uma personalidade peculiar leia-se perfeccionista/exigente/ arrogante, Nicole não entende como pode ao mesmo tempo odiar e se sentir atraída por esse ogro! 

E como sua profissão e relacionamento se desdobram, saiba lendo Senhorita Aurora.
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Aí você pensa: que resenha é essa que você não escreveu nada? 
E eu te digo: vai na fé e leia o livro! Porque as melhores coisas da história devem ser descobertas em sua leitura. A melhor saída neste caso é fazer uma leitura "cega", se é que você me entende, rs

Há algum tempo, depois que postei a resenha da série droga After, fui retribuir ao comentário da Rafa e caí na sua resenha de Senhorita Aurora. Li o texto e fiquei louca para conhecer a história, aí veio a primeira surpresa: o livro só existe em e-book. 

Mas isso não me impediu de ler, porque agora sou a rainha humilde do Kindle! Já li 13 livros lá e agora o céu é o limite. Então, assim que tive o e-book em mãos, devorei. Li o livro inteiro em menos de 24 horas. E depois da leitura, fiz campanha com as amigas, fiz propaganda, fiz panelaço na janela da varanda, manifestação fechando a avenida... Porque o livro é maravilhoso e MERECE ser lançado em sua versão impressa. Senhorita Aurora merece um lugar na minha estante com os meus New Adults preferidos.

Mesmo amando histórias com música e dança, comecei a leitura com pé atras, porque o Daniel era muito mala. Achei que estava participando de um concurso de leitura de protagonistas babacas e não estava sabendo. 

Daí eu li mais. E li e li...
... e me apaixonei. 

Senhorita Aurora parece ser uma história comum, mas de comum não tem nada! É uma surpresa atrás da outra. Você ri, chora, se choca, seu coração se parte em mil pedaços, fica sem esperança, ama, odeia! É um misto de sentimentos sem fim. Senti tudo que um grande romance pode proporcionar.

Nicole é uma personagem forte. Não é qualquer um que consegue ter as mesmas atitudes que ela. Eu não teria! E já conversei com várias amigas e elas estariam no meu time. Não sei se a Nicole que é muito corajosa ou nós que somos muito conservadoras/cagonas.

Quero muito reler para marcar as minhas partes preferidas (que será quase o livro inteiro, rs) e já arrastei algumas amigas para o fã clube mental da história! Quero ler mais livros dessa Babi! #entendedoresentenderão #vouqueimarnomármore literáriodoinferno

Leia! Leia sim!
Senhorita Aurora uma grande lição de superação e de amor! Um tapa na cara da sociedade!
Depois venha aqui me contar o que achou (spoilers livres nos comentários, então cuidado!). 
Quando chegar no 66% da leitura, venha aqui surtar! rs 

Compre aqui!

Nota: 4,5 (no total de 5 estrelas) 

*: mas nem sempre ter um destes dois elementos garante sucesso comigo. Vide aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

#132: After (Anna Todd)

Postado por Luciana Mara às 23:00:00 0 comentários Links para esta postagem
Vamos começar este texto pelo assunto mais importante: comprei um Kindle. #Tôapaixonada

Apesar da resistência inicial que tinha com os e-readers, porque sempre fui daquele grupo de pessoas que ama cheiro de livro novo e precisa pegá-los nas mãos, os lançamentos do Brasil e a curiosidade por histórias que poderiam não ser boas a ponto de eu querer tê-las na estante, foi mais forte.

E desde que realizei a compra, sabia que a primeira leitura seria After. 


Você me acompanha no Skoob? Se sim, já sabe o quanto enlouqueci lendo estes cinco livros em uma semana.

Aí você me pergunta: PQP! Então a história é muito boa? Você me recomenda?
Aí eu te respondo: Não. Não recomendo nem para o meu pior inimigo, porque a série é uma droga, no sentido tóxico mesmo da palavra, definitivamente é uma droga reencarnada em formato de livro. Você sabe que é uma coisa ruim, que vai te fazer mal, mas por algum mistério do universo, não consegue largar.
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After conta a história de Tessa Young, uma garota de 18 anos que está começando o curso de Letras na faculdade. Ela veste roupas conservadoras, é dedicada aos estudos e namora seu melhor amigo de infância há dois anos. E tudo seria perfeito se ela não dividisse o quarto no alojamento da faculdade com Steph, uma garota cheia de tatuagens e cabelo de fogo, que só gosta de festas e tem um amigo mais doido que o outro.

E entre estes amigos está Hardin. Despenteado, maluco, tatuado e desbocado. Ele é o tipo de pessoa que a mãe da garota abominava, e consequentemente, ela aprendeu a abominar também.

Tudo que Tessa não precisava era complicar sua vida se envolvendo com ele. Mas como resistir, se Hardin não dá folga?
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E aí, vamos para a avaliação dos itens quase obrigatórios de todo New Adult (NA):

  • Mocinha inocente, que quer aproveitar as novidades da vida? Ok!
  • Bad boy da pior espécie? Ok!
  • Cenas proibidas para menores? Ok!

Tudo estava ok, dentro do esperado do gênero, até que conheci melhor o mocinho. Sabe um dos personagens do último livro que resenhei e que não vou citar mais pra não botar mais lenha na fogueira HAHA? Então, o Hardin é pior. Pior à 1094057870315 potência.

Ele é um ogro, arrogante, desrespeitoso e idiota. Sério, do fundo do coração: gostaria de saber o que as garotas pensam ao suspirarem por histórias assim! Histórias com ciúmes excessivo, porrada aos quatro ventos por nada e um cara que engana a mocinha todo capítulo! Um cara que faz a mocinha de trouxa durante QUATRO LIVROS INTEIROS!!!

Recebi congratulações dos meus companheiros de Skoob quando finalizei a série porque eles acompanharam meu sofrimento. Minha raiva do Hardin chegou até Netuno!

Nenhum trauma do passado justifica os atos dele. Sério, se eu fosse a Tessa, esse cara já tava capado e morto, mas antes claro, ralaria sua cara num muro de chapisco! Nada me faz aceitar o tipo de relacionamento deles. Toda vez que uma briga acontecia, só lembrava da música Treat You Better (Shawn Mendes). Como alguém consegue viver num relacionamento abusivo? E o pior: como as pessoas conseguem ler e invejar histórias assim?

Eu AMO NA e em momento algum suspirei pelo mocinho. Ficava doida é para a Tessa beijar o Landon, o melhor amigo dela.

Ilusão nenhuma de amor me permite aceitar viver a vida assim, viver com medo de:

  1. Você perder a pessoa por motivo idiota;
  2. Você fazer/dizer/pensar alguma coisa que machuque a outra pessoa. Pisar em ovos o tempo inteiro deve ser aterrorizante.

São quatro livros de brigas, sexo, desentendimentos, idas e voltas chatas. Foram quatro livros que fiquei com vontade de jogar na parede, mas não joguei por motivos óbvios (era Kindle, não livro físico).

Talvez, se a história fosse contada em 3 livros e não em 5, a história poderia ganhar mais uma estrela do que as 3 que dei no geral, porque surpreendentemente Braseel, o último livro foi muito bom. Muito mesmo. Fiquei pensando como a autora conseguiria sair da bola de neve que ela se meteu no livro final e fui positivamente surpreendida porque ela fez o que eu esperava desde o início: que a Tessa criasse juízo e pensasse em si mesma. E outro fator importante: tempo. Se o tempo não resolve as coisas, pelo menos permite que você as avalie corretamente.

A história só melhorou quando Tessa decidiu dar um basta. E esse basta foi a solução para todos os problemas. Mas a história cansou. Cansou, até que melhorou. E quando melhorou, acabou.

Todo livro acaba num meio de uma cena chocante (e algumas vezes bem previsível. A Anna precisa aprender a criar situações que surpreendam o leitor) e por isso, li tudo em sequência e também porque minha memória é horrível e se eu não ler séries em sequência, corro o risco de esquecer a história.

Os livros foram escritos inicialmente como um fanfic no Wattpad com os personagens do One Direction e vou confessar uma coisa: se eu fosse o Harry Styles (cantor que a Anna Todd se inspirou para fazer o Hardin), eu processava essa mulher!

A série inicial é composta por 5 livros. Há um ainda (Before) que conta a história pelo ponto de vista do mocinho que de mocinho não tem nada. Estão sendo lançados lá fora outros dois livros contando a história do Landon, o que acho bem apropriado porque a autora deixou um grande mistério no último livro e ele é um fofo

Ahhh... e a história vai virar filme
Ainda estou tentando entender o que eu acho dessa notícia. 

Espero me desintoxicar dessa droga em breve. 
E crianças, fiquem longe disso, ou vocês só conseguirão ficar livres depois de muitos entorpecentes. 

sábado, 1 de outubro de 2016

Trecho de "Tudo o que poderia ter sido"

Postado por Luciana Mara às 12:00:00 0 comentários Links para esta postagem

Aos seis anos, assim que Luísa aprendeu a escrever, fez uma lista no diário que acabara de ganhar de presente de natal da avó.
Ela fez a lista dos seus cinco maiores medos.

            1- Perder seus pais
            2- Aparecer de pijama na escola
            3- Ficar sozinha
            4- Brigar com o Augusto
            5- Barulho do vento

Aos dez, enquanto pensa na lista que ano após ano repete na primeira página da sua nova agenda e escuta o uivo do vento, a garota ouve batidas na janela do seu quarto.
O medo de número cinco tenta persuadi-la de se levantar e atender ao chamado.
O medo de número quatro a faz jogar o lençol no chão imediatamente e caminhar até a janela.
Seus pais saíram para comemorar o aniversário de casamento e Luísa ficou sozinha em casa. Ao mesmo tempo que ela queria dar um pouco de privacidade aos dois, a garota queria terminar de assistir o final do seu filme preferido.
O que ela não esperava é que o medo número três junto do medo de número cinco a fizesse se arrepender daquela decisão.
– Poxa, Lu! Achei que você fosse me fazer congelar aqui fora. – Augusto diz assim que a janela do quarto é aberta.
Augusto, ou Guto, como prefere ser chamado, é seu vizinho desde que os dois eram bebês. Luísa é um ano mais velha que ele, mas quando os dois estão juntos, não se percebe essa diferença.
Guto é o seu melhor amigo. Os dois estudam na mesma escola e por isso, é Guto quem garante a ela todas as manhãs que o medo de número dois não irá ocorrer.
O garoto passa uma perna e depois a outra na janela do seu quarto, batendo o queixo de frio, pela temperatura lá fora. A janela é fechada e ele esfrega as mãos nos braços com todos os pelos arrepiados, na intenção de aquecê-los.
– Você está sozinha, né?! – Augusto pergunta assim que para de bufar.
– Estou, como você sabe?
– Passei na garagem antes de bater na janela e o carro dos seus pais não está lá. Contornei a casa e só a janela do seu quarto está com a luz acesa. – Ele coça a cabeça enquanto pergunta. – Está com medo? Quer que fique aqui com você?
Augusto sabe de todos os seus medos. Não existem segredos entre eles. O garoto fez sua própria lista uma vez e o único item em comum era "Medo de brigar com a Luísa".
Ninguém entendia porque os dois eram tão grudados. Talvez fosse a obsessão da garota por jogos de tabuleiros e não por bonecas, assim como a obsessão do garoto por jogos de tabuleiros e não por carrinhos.
Luísa tem uma irmã mais nova que está dormindo na casa de uma amiga de escola e Augusto tem três irmãos mais velhos. Ela o inveja por isso todos os dias. A garota não se dá muito bem com sua irmã. Júlia é uma pirralha de sete anos que só sabe pegar no seu pé, garante Luísa a todos. 
Apesar do que Luísa acha, os irmãos de Guto não 100% maravilhas com ele. O garoto cansou de ser enxotado pelos irmãos e resolveu se refugiar com a vizinha, sua melhor decisão. A partir de então, os dois se tornaram inseparáveis, tipo Batman e Robin.  E, nessa questão, o medo número quatro acaba ocorrendo frequentemente, porque eles não conseguem decidir quem é o chefe e quem é seu fiel ajudante.
Os pais de ambos avisaram que a porta da frente estava sempre aberta para receber o outro, que não precisava nem bater, bastava entrar. As casas dos dois ficam lado a lado, em um condomínio fechado que permite que não seja necessário passar a chave na tranca da porta 24 horas por dia.
Apesar da permissão de entrada sem limites, os dois gostam mesmo é de pular a janela e fazem isso o tempo inteiro.
Então, quanto Guto ouviu o barulho do vento, saiu de pijamas do seu quarto pela janela, atravessou o quintal que divide as duas casas e bateu na janela do quarto da vizinha.
– Você quer jogar alguma coisa para esperar o tempo passar?
– Ai Guto, não quero não. Qualquer jogo que jogarmos você vai ganhar, porque não consigo me concentrar. Você sabe como eu sou competitiva.
E o garoto sabia mesmo. Tanto que algumas vezes deixa Luísa vencer para não evocar o medo número quatro.
– Tenho uma ideia. Vamos ouvir música? – O garoto pergunta assim que vê os fones de ouvido de Luísa em cima do seu criado mudo.
Recentemente, Augusto descobriu uma nova paixão: rock pesado. Até pediu aos pais de presente de natal uma guitarra. Ele garantiu que aprenderia a tocar sozinho, auxiliado por vídeos na internet e de revistas de banca.
Seus pais cederam ao desejo do filho, apesar do desespero dos três irmãos mais velhos que diziam que como músico, Guto era um ótimo escritor.
A obsessão era tanta que em toda oportunidade, Guto fazia Luísa ouvir a sua playlist do momento. Sua intenção era fazer com que a garota se apaixonasse por música e o acompanhasse aos festivais que ocorrem na cidade, assim que eles tiverem idade suficiente para frequentá-los.
Luísa aceita a proposta.
Não porque estivesse querendo ouvir músicas.
Não porque não quisesse brigar com Augusto.
A garota aceita a proposta porque não quer ouvir o barulho do vento.  
----

Brincando com intertextualidade, rs. 
Este é um trecho do livro citado em Tudo o que poderia ter sido.
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